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ABCD - Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva - Brazilian Archives of Digestive Surgery

Número: 27.3 - 19 Artigos

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Artigo Original

Embolização portal utilizando cateter adaptado de histerossalpingografia

Portal vein embolization using an adapted hysterosalpingography catheter

Klaus STEINBRÜCK, Jefferson ALVES, Reinaldo FERNANDES, Marcelo ENNE, Lúcio Filgueiras PACHECO-MOREIRA

Resumo

RACIONAL: Embolização da veia porta é procedimento consagrado para estimular a hipertrofia do fígado remanescente, a fim de reduzir as complicações pós-hepatectomia. OBJETIVO: Apresentar série de casos submetidos à embolização da veia porta usando cateter adaptado de histerossalpingografia, por via transileocólica. MÉTODOS: Foi realizada embolização do ramo portal direito em 19 pacientes utilizando cateter de histerossalpingografia. Foi usado Gelfoam(r) em pó com solução de álcool absoluto, como material embolizante. As indicações para hepatectomia foram metástases hepáticas colorretais em todos os casos. RESULTADOS: Hipertrofia adequada do fígado remanescente foi alcançada em 15 pacientes (78,9%) e a hepatectomia foi realizada em 14 (73,7 %). Em um (5,2 %), a progressão do tumor impediu a realização da operação. Um paciente apresentou insuficiência renal aguda após embolização portal. CONCLUSÕES: O cateter de histerossalpingografia é fácil de ser manuseado e pode ser introduzido na veia porta com um fio guia. Não houve complicação grave pós-embolização. Seu uso é seguro, barato e eficaz.

Palavras-chave: Transplante, Doença, Cirurgia Geral

Embolização da veia porta é procedimento consagrado para estimular a hipertrofia do fígado remanescente, a fim de reduzir as complicações pós-hepatectomia.

OBJETIVO:

Apresentar série de casos submetidos à embolização da veia porta usando cateter adaptado de histerossalpingografia, por via transileocólica.

MÉTODOS:

Foi realizada embolização do ramo portal direito em 19 pacientes utilizando cateter de histerossalpingografia. Foi usado Gelfoam(r) em pó com solução de álcool absoluto, como material embolizante. As indicações para hepatectomia foram metástases hepáticas colorretais em todos os casos.

RESULTADOS:

Hipertrofia adequada do fígado remanescente foi alcançada em 15 pacientes (78,9%) e a hepatectomia foi realizada em 14 (73,7 %). Em um (5,2 %), a progressão do tumor impediu a realização da operação. Um paciente apresentou insuficiência renal aguda após embolização portal.

CONCLUSÕES:

O cateter de histerossalpingografia é fácil de ser manuseado e pode ser introduzido na veia porta com um fio guia. Não houve complicação grave pós-embolização. Seu uso é seguro, barato e eficaz. Palavras-Chave: Transplante; Doença; Cirurgia Geral

INTRODUÇÃO

Avanços na cirurgia hepática ter reduzido a taxa de mortalidade após ressecções maiores, mas permanecem complicações decorrentes da função hepática pós-ressecção inadequada e tamanho. Embolização da veia porta é procedimento aceito e que fornece hipertrofia do futuro fígado remanescente, a fim de reduzir tais complicações. Mesmo que a embolização da veia porta percutânea é a técnica3 mais utilizada, ainda há lugar para embolização da veia porta por via transileocolica, especialmente em hospitais onde radiologia intervencionista não está disponível.

O objetivo deste estudo foi demonstrar uma série de embolizações da veia porta realizada através de abordagem transileocolica, usando um cateter de histerossalpingografia adaptado.

MÉTODOS

Foi realizada a embolização da veia porta em 19 pacientes usando um cateter de histerossalpingografia 5Fx40cm adaptado (Angiotech Medical, Inc., 3600 SW 47th Avenue Gainesville, Florida 32608 EUA - Figura 1A) para estimular o crescimento do futuro fígado remanescente. Indicações para hepatectomia eram metástases hepáticas colorretais em todos os casos. O procedimento foi executado por via transileocolica após minilaparotomia em todos os pacientes.

Figura 1 A) Cateter de histerosalpingografia; B e C) o sistema de balão 

Uma vez que o cateter tenha sido colocado na veia porta, a sua posição era confirmada por fluoroscopia e o balão (Figuras 1B e 1C) era insuflado para ocludir o ramo direto da veia porta (Figura 2). Para embolizar o vaso, foi usado pó de Gelfoam(r) em solução de álcool absoluto (0,5 ml/kg).

Figura 2 Imagem de fluoroscopia mostrando o balão insuflado (seta) e o ramo portal direito embolizado (cabeças de seta) 

RESULTADOS

Crescimento adequado do futuro fígado remanescente foi alcançado em 15 pacientes (78,9%) e hepatectomia pôde ser feita em 14 (73,7%), de oito a dez semanas após a embolização da veia porta. Quatro pacientes (21,1%) não apresentaram crescimento satisfatório do futuro fígado remanescente, e a operação foi cancelada. Em um paciente (5,2%), ocorreu progressão intra-hepática do tumor, o que impediu a segunda operação. Um paciente apresentou insuficiência renal aguda após o procedimento de embolização, mas não foi necessária diálise. Todos os pacientes relataram, após o final da anestesia, sensação de ressaca.

DISCUSSÃO

Embolização da veia porta é procedimento reconhecido que permite o crescimento do futuro fígado remanescente, sustentando assim a possibilidade de extensa ressecção hepática em pacientes com volume previsível de fígado remanescente insuficiente. Revisão recente realizado por van Lienden et al.3 mostrou que 12,4% das embolização da veia porta ainda estão sendo feitas por via transileocólica. Este fato pode ser justificado, em parte, pelas dificuldades de acesso às facilidades de intervenção radiológica para fazer a abordagem percutânea, que é o caso do nosso hospital. Para garantir tratamento adequado, foi adaptado um cateter de histerossalpingografia para realizar a embolização da veia porta. É sistema de cateter de balão descrito por Sholkoff em 19872. Ele é fácil de manusear e pode ser introduzido na veia porta com um fio-guia. Não é caro (US$ 6 por unidade) e o diâmetro do seu balão é de 10 mm, obtido com 0,8 ml de solução salina, fornecendo eficaz oclusão do ramo portal direito para evitar a embolização vasos não-alvo. A taxa de sucesso aqui apresentada para indicar hepatectomia secundária foi de 73,7%, o que é semelhante à taxa de literatura (80%)3. De acordo com a pontuação do sistema Clavien1, não houve nenhuma complicação pós-embolização. É importante mencionar que a abordagem aberta permite aavaliação da cavidade peritoneal no momento da embolização da veia porta para observar a lesão do fígado e da presença de afecções locais.

CONCLUSÃO

O cateter de histerossalpingografia é fácil de manusear e pode ser introduzido na veia porta com fio-guia. Não houve complicação pós-embolização. Seu uso é seguro, barato e eficaz.

REFERENCES

1. Clavien PA, Camargo CA, Croxford R, Langer B, Levy GA, Greig PD. Definition and classification of negative outcomes in solid organ transplantation: application in liver transplantation. Ann Surg 1994; 220:109-120.

2. Sholkoff SD. Balloon Hysterosalpingography Catheter. AJR 1987;149:995-996.

3. van Lienden KP, van den Esschert JW, de Graaf W, Bipat S, Lameris JS, van Guliket TM, et al. Portal Vein Embolization Before Liver Resection: A Systematic Review. Cardiovasc Intervent Radiol 2013;36:25-34.

Correspondência: Klaus Steinbrück E-mail:steinbruck@gmail.com

Conflito de interesses: não há

Fonte de financiamento: não há

 

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